A cidade de Macaé se prepara para viver mais um momento de fé, tradição e valorização cultural com a realização do Presente de Iemanjá, neste domingo, 1º de fevereiro. A celebração reúne representantes de terreiros, lideranças religiosas, fiéis e moradores em uma programação que destaca a importância das religiões de matriz africana e o respeito à diversidade religiosa.
A concentração dos participantes acontece a partir das 8h, no Mercado Municipal de Peixes, espaço simbólico e historicamente ligado à relação da cidade com o mar. O local é tradicional ponto de encontro das homenagens à Rainha do Mar e reforça o vínculo cultural entre a população, a pesca artesanal e a espiritualidade.
Às 9h, terá início o cortejo cultural e religioso, que seguirá pela Rodovia Amaral Peixoto, contornando a Praça Veríssimo de Melo, com retorno ao Mercado de Peixes. O percurso será marcado por cânticos, toques de atabaques, manifestações culturais e expressões de fé que simbolizam a ancestralidade e a resistência cultural dos povos de matriz africana.
Após o cortejo terrestre, os participantes seguirão para o cortejo marítimo, considerado um dos momentos mais emocionantes da programação. No mar, serão realizadas as homenagens e a entrega simbólica dos presentes à Iemanjá, reforçando pedidos de proteção, prosperidade, saúde e equilíbrio espiritual. O ritual também representa agradecimento e renovação da fé dos devotos.
Evento integra calendário oficial e reforça políticas de igualdade racial
O Presente de Iemanjá integra o Dia Municipal de Iemanjá, instituído pela Lei Municipal nº 3.975/2023, e conta com o apoio da Prefeitura de Macaé, por meio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. A ação está alinhada ao Estatuto Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Lei nº 4.942/2022), que inclui as celebrações da cultura negra no calendário oficial do município.
O estatuto tem como objetivo combater o preconceito, a discriminação e as desigualdades raciais, além de garantir igualdade de oportunidades e o reconhecimento das manifestações culturais afro-brasileiras. Macaé também segue as diretrizes do Estatuto da Igualdade Racial (Lei Federal nº 12.288/2010), que assegura a proteção e valorização das tradições religiosas de matriz africana e o direito à livre expressão de fé.
De acordo com a secretária municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Ingrid Pereira da Silva Aprígio Fernandes, a construção do evento foi resultado de diálogo com representantes de cerca de dez terreiros do município.
“O evento ‘Presente de Iemanjá’ possui grande representatividade histórica, cultural e institucional em Macaé. A Prefeitura atua em consonância com as diretrizes da Política Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro, assegurando reconhecimento institucional, valorização cultural e garantia de direitos”, ressaltou a secretária.
Segundo Ingrid, a iniciativa reafirma o papel do poder público no enfrentamento à intolerância religiosa e no fortalecimento das políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial. A secretaria informou ainda que novos encontros com representantes de terreiros estão previstos para a construção de ações e projetos ao longo de 2026.
Dia de Iemanjá: tradição, fé e resistência cultural
Celebrado principalmente em 2 de fevereiro, o Dia de Iemanjá é uma das mais importantes manifestações religiosas e culturais do Brasil. A data homenageia a orixá conhecida como Rainha do Mar, associada à maternidade, proteção, fertilidade e ao equilíbrio das águas. Em diversas cidades litorâneas, milhares de fiéis participam de procissões, rituais e oferendas em agradecimento e devoção.
As homenagens costumam incluir flores, perfumes, espelhos e objetos simbólicos, sempre com atenção à preservação ambiental. A tradição reúne praticantes do candomblé, da umbanda e de outras religiões de matriz africana, além de dialogar com o sincretismo religioso, especialmente com a devoção a Nossa Senhora dos Navegantes.
Mais do que um evento religioso, o Dia de Iemanjá representa um importante marco cultural e social, promovendo o fortalecimento da identidade afro-brasileira, o respeito às tradições ancestrais e a luta contra o racismo religioso. Em Macaé, a celebração reafirma o compromisso do município com a diversidade cultural, a liberdade religiosa e a valorização da história e da ancestralidade do povo negro.
